Autobiografia de um Iogue - Versão de 1951

A primeira edição da Autobiografia de um Iogue, foi publicada pela primeira vez em 1946 nos EUA e circulou no mercado por quatro anos. Para a edição de Londres (Inglaterra), em 1949 Yogananda publicou o livro revisado e com aumento de texto:  

"Os ajustes para a edição londrina do  livro deram-me a oportunidade de revisar e aumentar um pouco o texto. Além do novo material no último capítulo, acrescentei várias notas de rodapé, nas quais respondo a perguntas feitas pelos leitores da edição americana." ¹

Em 1951, pouco antes do seu mahasamadhi, Paramahansa Yogananda revisou inteiramente a obra, acrescentando não apenas um novo e último capítulo 49 com 20 páginas, mas um grande volume de informações inéditas ao longo de todo o livro, no conteúdo geral e em "notas do autor".  À propósito do seu claro desejo em detalhar melhor sua terra natal, a filosofia védica, e o crescimento da sua obra na América, entre outros temas variados, podemos afirmar que ele acrescentou milhares de novos textos, inclusive de caráter histórico na maioria dos capítulos. 

Como seria uma hérculea tarefa editorial nomear todas as diferenças entre a versão original e a de 1951, ilustraremos apenas alguns exemplos, mas que já sinalizam a riqueza do conteúdo finalizado pelo autor, que conpletou ali sua história autobiográfica.

¹ - Um exemplar do livro de 1949 com a nota do autor pode  ser visto aqui  e o de 1951 aqui

Página de abertura homenagem à India

Na abertura do livro, Yogananda comemora em quase duas páginas, a nova fase da sua querida India, independente em 1947; descreve a bandeira moderna adotada pelo País e conta como ela foi criada a partir de referências espirituais, destacando o famoso reinado do imperador Asoka.

A Dharma Chakra (roda da lei), em azul marinho (....) A roda foi escolhida como símbolo (...) Erigida pelo imperador Asoka, o mais ilustre soberano (...) Os domínios que Asoka herdou incluiam (...) Ninguém como ele soube combinar energia, benevolência (...) Realizou para muito além de seus vastos (...) Nos seus éditos inscritos em rochas (...) A India moderna aspirando renovar (...)

 
Breve resumo de acréscimos no conteúdo

Capítulo 9 - O devoto bem-aventurado e seu romance cósmico

Neste capítulo, Yogananda acrescentou mais duas páginas homenageando Mestre Mahasaya, onde também detalhou melhor os atributos de Deus no hinduismo e o conceito da Mãe Divina.

Santos de todas as religiões alcançaram a  percepção (...) O Absoluto é  nirguna, “sem qualidade”, e  acyntia, “inconcebível”; por isso (...) Esta “reconciliação dos opostos” satisfaz o coração e a cabeça; bhákti (devoção) e (...) A humildade de Mestre Mahásaya e de todos os  outros santos brota do (...) Na vida de Mestre Mahásaya, as manifestações do jogo divino ocorreram (...) Aos olhos de Deus nada é grande ou pequeno (...) O homem, sintonizado com Deus, experimenta alegria (...) Em todas as épocas, acercando-se da Mãe com espírito de infância (...) As distinções entre “importante”e “não-importante”são, seguramente, desconhecidas para o  Senhor a fim de (...)

Capítulo 16  Mais esperto que os astros - A versão hindu da história de “Adão e Eva”é contada no venerável purâna (...) 0 primeiro casal, homem e mulher (seres em forma física), chamavam-se (...)  Seus cinco filhos casaram-se com os (...) Nunca, no Oriente ou no Ocidente, ouvi alguém explicar as Escrituras cristãs com tão profunda (...) Os teólogos interpretaram mal as palavras de Cristo - disse o Mestre (...)  Jesus, que atingira completa unificação com a Consciência-de-Cristo (...) Uma forma de covardia espiritual leva muita gente mundana a acreditar (...) Todos os homens, porém, foram divinamente criados e (...) Jesus jamais disse que ele era o único (...)

Capítulo 35 - A vida crística de Láhiri Mahásaya - Como iogue-chefe-de-família, Láhiri Mahásaya trouxe uma (...) As excelentes condições econômicas e religiosas da antiga índia não (...) O grande mestre por isso não econrajou o (...)  Ele preferiu salientar as vantagens que (...) Não dependendo de uma sociedade (...) Praticar ioga no recesso de (...)  A este conselho, Láhiri Mahásaya acrescentou (...) Ele foi o modelo do iogue moderno (...) Seu modo de vida, planejado por Bábají (...) Objetivo de servir de guia aos aspirantes (...)

Capítulo 37 - Vou à América - Nesse capítulo Yogananda reproduziu versos do Gita para descrever o que sentiu ao ver Bábaji e teceu novos comentários.
Se no firmamento se visse, de repente, a explosão de mil sóis (...) Inundando a Terra com (...) Fosse imaginável o esplendor e a majestade do Santíssimo (...) George  Washington,  o  “Pai  de  sua  pátria” (...) Em muitas ocasiões sendo divinamente guiado (...) “Oferecer  à  humanidade  o  exemplo  magnânimo  e  novíssimo  de  um povo (...)  No decurso do  tempo e dos  fatos, os frutos de semelhante plano compensarão (...) Será  que  a  Providência  não  vinculou  a (...) De  Tu,  Mãe,  com  teus descendentes  vivendo  em  igualdade  de (...) Em tua descendência mais numerosa a mais (...) teus  inúmeros  messias, latentes (...)

Capítulo 39 - Teresa Neumann, a estigmatizada católica - Algumas horas depois, descrevi minha experiência a um querido amigo, o sr. James J. Lynn. Seu desenvolvimento espiritual, pela prática diária de Kriya Yoga, tem sido tão notável que eu o chamo, com freqüência, de “Santo Lynn”. Nele e em vários outros discípulos ocidentais, vejo com felicidade cumprir-se a profecia de Bábají de que também o Ocidente produziria santos de autêntica percepção de Deus, através da antiga senda de ioga.  O sr. Lynn insistiu generosamente em doar o necessário para minha viagem.  ** Na edição original, Yogananda relatou essa passagem, mas havia omitido o nome desse e de outros discípulos. Em 1951, nomeou-os publicamente em vários comentários no livro. Ver discípulos aqui e aqui

Capítulo 41  Idílio na India Meridional - Muitos acréscimos sobre Asoka, o guru Sadasiva, a inserção de seu encontro com Ramana Maharishi, (ausente da edição de 1946), bem como a fotografia de ambos.

A índia, nação soberana desde 1947, progride, com vagar mas com segurança (...) Gravados em vários dialetos, os “sermões na pedra” de Asoka testemunham o notável índice de instrução alcançado em sua época (...) O Édito na Rocha XIII condena as guerras (...) O Édito na Rocha X declara que a legítima glória (...)  O Édito na Rocha XI define “a autêntica dádiva” como sendo, não os bens, mas (...)  No Édito VI o querido imperador convida seus súditos a discutirem os negócios públicos (...) Sucessivos governantes de Pudukkottai vêm conservando, como tesouro sagrado (...) Sadásiva escreveu em 1750, para orientação do príncipe reinante (...)

O guru de Sadásiva foi Swâmi Pararnasivendra Saráswatí, autor de (...) Sadásiva tornou-se um múni (santo silencioso) depois de seu guru o ter repreendido por (...) Certos  homens mundanos, ofendidos porque Sadásiva (...) Mas Paramasivendra, sorrindo alegremente, exclamou (...) Aparentemente, existem muitas injustiças neste  inundo; mas os devotos de Deus dão testemunho (...) Uma noite, Sadásiva, em samádhi, parou junto ao celeiro (...) Como estátuas, os braços para cima, o trio permaneceu compondo um excepcional quadro-vivo (...) Em outra ocasião, o grande mestre foi rudemente forçado a participar de um serviço (...) O santo silencioso transportou humildemente (...) o guerreiro  se tornou um discípulo digno de Sadásiva; seus conhecidos anteriores (...)

Antes de deixarmos a índia meridional, o sr. Wright e eu fizemos uma peregrinação à colina sagrada de Arunachala, perto de Tiruvannainalai, para nos encontrarmos com Sri Ramana Maharishi (...) assinalou, com o dedo, uma pilha de revistas East-West *Self-Realization Magazine* (...) Para ajudar a sofredora humanidade (...) Sri Ramana ensina a formular (...) O iluminado sábio da índia meridional escreveu (...) Existe a Verdade. Quem a vê (...)

Capítulo 44 Com Mahátma Gandhi em Wardha e Mahatma Gandhi In Memoriam - A marcha inflexível dos acontecimentos políticos mundiais salienta inexoravelmente a verdade de (...) A ciência, se a religião não o fez (...) Para onde, em verdade, poderá o homem ir agora (...) Centenas de milhões se lamentam porque a luz se apagou (...) Cinco meses antes, a índia alcançara pacificamente a sua independência (...) Gandhi também insinuou que já conhecia seu (...) Quando, moribundo, o Mahátrna tombava lentamente (...) Todos os sacrifícios de sua vida (...) Albert Einstein, em seu tributo ao Mahátma (...) Um despacho do Vaticano, de Roma, afirmava (...) Férteis em significado simbólico são as vidas (...) A dramática morte de Gandhi, pela causa da (...) A não-violência nasceu entre os homens e (...)

Capítulo 48 - Em Encinitas, na Califórnia - Na revisão final de Yogananda, ele reduziu esse capítulo que possuía 9 páginas com texto (duas fotografias), para 5, porém, incorporou 2 às 20 páginas do novo capítulo 49. Mas ao contar em 1951 do seu regresso à Encinitas, novamente resgatou a lembrança de seu dileto discípulo James J. Lynn ou Rajarsi, omitido na versão original e teceu ampla homenagem àquele que alguns meses depois, ocuparia a presidência da sua organização:

"A grande propriedade em Encinitas, na Califórnia, é um presente oferecido a SRF pelo sr. James J. Lynn, um Kriya Yogi cheio de fé e de fidelidade, desde sua iniciação em janeiro de 1932. Homem de negócios norte-americano, com inúmeras responsabilidades (como dirigente de empresas de petróleo e presidente da maior companhia do mundo no ramo de seguros contra incêndio), o sr. Lynn, não obstante, encontra tempo, todos os dias, para a longa e profunda meditação em Kriya Yoga. Levando assim uma vida equilibrada, ele alcançou em samádhi a graça de uma paz imperturbável. Enquanto estive ira Índia e na Europa (de junho de 1935 a outubro de 1936) o sr. Lynn, em afetuosa conspiração com meus correspondentes  na Califórnia, impediu que chegasse ao meu conhecimento qualquer palavra sobre a construção do áshram de Encinitas. Que surpresa e deleite! "

O novo e último capítulo 49

Capítulo 49 - O período de 1940 a 1951 - Este último capítulo e um dos mais longos do livro, é composto de 20 páginas e contém duas do capítulo 48 da primeira edição. As 18 restantes abordam temas inéditos, conforme a "nota do autor":

     "Muito material novo do capítulo 49 foi acrescentado na terceira edição do  livro  (1951). Respondo, neste capítulo, a várias perguntas sobre a Índia, a ioga e a filosofia védica.”

Na versão definitiva da sua Autobiografia, Yogananda esmerou-se no detalhamento de complexos temas relacionados à filosofia védica, vida, morte, karma, criação, natureza divina, etc; reforçou a ponte entre Cristianismo e Yoga, e em meio à esses importantes assuntos, ao observador atento não escapará a curiosa coincidência: a de que ao completar sua história em 1951, Yogananda parecia estar ciente de que  seu corpo físico caminharia poucos meses no palco terreno. No capítulo 48 da sua primeira edição, por exemplo, ele descrevera o trabalho da Self-Realization até 1946, mas na revisão final, procedeu uma detalhada descrição dos novos templos inaugurados e da evolução estrutural da sua organização, (ou "filho espiritual" como a chamava), até 1951, como resultado da sua missão no Ocidente. (Ver aqui)

Os recém-chegados aos vários centros de SRF costumam solicitar maiores esclarecimentos sobre (...)
Em 1950 e 1951, passei muito tempo em um retiro de SRF, onde traduzi o Bhágavad-Gíta e escrevi (...)
Em 27 de agosto de 1950, durante a qual dei a iniciação em Kriya Yoga (...) Na Idade Atômica, a ioga deve ser ensinada por um curso impresso (...) A única alternativa seria ignorar o “homem comum” e privá-lo do (...) Fundar no Ocidente uma organização como SRF, “uma colmeia para o mel espiritual” (...)  Durante milênios, a índia foi, simultaneamente, o país da luz (...) A pobreza dos últimos duzentos anos é (...)  A abundância, material e espiritual, vem a ser uma manifestação da estrutura de (...) As Escrituras hindus ensinam que o homem é  atraído para (...) Os males atribuídos a uma abstração antropomórfica chamada “sociedade” podem (...)
A utopia deve medrar na intimidade de cada peito humano (...) Passei um dos  períodos mais felizes de minha vida, ditando para SeIf-Realization Magazine minha interpretação de trechos do Novo (...) Implorei fervorosamente ao Cristo para que me guiasse na (...) Contemplei a forma resplandecente do abençoado Senhor Jesus, parecia (...) As Escrituras hindus exaltam a ciência porque é (...)
O mistério da respiração, é verdade, já foi algumas vezes desvendado (...) Tais santos do cristianismo, do islamismo  e de outras religiões foram (...)  O plano do fila divino ou “atividade desportiva” que trouxe à existência o mundo dos fenômenos (...)
Publicado periodicamente em SR Magazine. O Bhágavad-Gíta é a mais amada de todas  (...) Entre os místicos cristãos que foram observados em sabikálpa sarnádhi pode-se mencionar (...) Frei Lawrence, místico cristão do século 17,  conta-nos que (...)
Para despertar a memória de sua própria divindade, ele de nada mais precisa (...) A ioga tem, assim, interesse universal porque  permite (...) Vários grandes mestres do jainismo na índia têm sido chamados de (...) O mistério da vida e da morte, cuja solução é o único objetivo da passagem do homem (...) Tendo experiência desta verdade, os antigos ríshis (...) profetas hebreus estavam cientes de ter Deus criado a respiração para servir de vínculo sutil entre (...) Nos homens não-iluminados, as correntes de vida, operando no (...)  
Um ser humano identífica-se falsamente com sua forma física porque (...) Em estado superconsciente, o homem se liberta (...)
Quando o carma evolutivo corta o laço respiratório entre (...) A Morte, que não interrompe este avanço, simplesmente lhe oferece (...)
É na bigorna deste planeta grosseiro que o homem deve forjar o (...) Durante muitos anos, dei aulas em Encinitas e Los Angeles sobre os Yoga Sutras de Patânjali e (...) Deixe alguns mistérios para explorar (...) Todos os grandes profetas permaneceram silenciosos quando solicitados a desvendar os (...) A verdade não é teoria, nem sistema especulativo de filosofia, nem (...) Buda também se recusou a lançar luz sobre as (...) O objetivo divino da criação, até onde a razão humana pode (...) A verdade védica, como toda verdade, pertence (...) Deus é Amor; logo, Seu plano para a criação só pode ter (...) Todos os homens, assim dotados com uma faceta da Individualidade Divina (...) O místico chinês Lao-tsé ensinou (...) o Som Primordial traduz-se instantaneamente em (...) Um Santo Graal apareceu-lhe na boca; desceu aos meus lábios e (...)

 

 

 

 ATUALIZAÇÕES PELA SELF-REALIZATION

Segundo esclarece a organização de Yogananda na introdução do livro, uma última revisão foi feita por ele antes do seu falecimento em março de 1952 e delegada à sua editora-chefe Tara Mata. Essa revisão adicional só pôde ser incluída na edição de 1956, devido aos altos custos envolvidos no processo de ressoldagem das chapas, de modo que, a editora de Nova Iorque responsável pela publicação na época, não incluiu na quarta edição as revisões anteriormente feitas pelo autor.

Em nota do editor na edição de 1956 constou:  “A edição americana de 1956 contém revisões feitas por Paramahansa Yogananda em 1949 para a publicação de seu livro em Londres, Inglaterra, além de revisões  feitas pelo autor em 1951.”

Merecem destaques as 60 fotografias e as atualizações realizadas pela SRF. Tara Mata, revisou pequenos trechos do livro conforme as instruções deixadas por seu guru, além de atualizá-lo com as informações sobre o mahasamadhi, as mudanças de sucessores na presidência da Self-Realization e a inclusão de novas fotos - como o famoso retrato ao lado - "O último sorriso" - registrado minutos antes da morte de Yogananda, ocorrida em 07 de março de 1952. O acervo completo de Paramahansa Yogananda pode ser encontrado na Livraria e Distribuidora Omnisciência.

 

  

Acréscimos de Notas de rodapés do autor

É unanimidade geral entre os leitores, que uma das chaves da Autobiografia se encontra justamente nas inúmeras Notas de Rodapé explicativas, algumas até de página inteira. Na edição de 1946 elas apareciam brevemente. Foi em 1951 que Yogananda fez um substancial acréscimo, em detalhados esclarecimentos sobre os mais diversos e complexos assuntos em praticamente todos os capítulos do livro, como os de nr. 2, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 12, 14, 15, 16, 17; do capítulo 20 a 30; 32, 33, 38, 39, 40, 41, 43, 44, 45, 46, apenas para citar alguns exemplos.  

Um breve descritivo dessas notas apresentamos na página seguinte.

 

Acréscimos 1951- Notas do autor

Manifesto Público em Defesa da Versão Definitiva

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