Anos finais e o lançamento da Autobiografia em 1946

 

Yogananda à frente da sede central da SRF

Ao retornar da India em 1936, Yogananda ainda fez algumas palestras públicas, mas dedicou-se a solidificar os alicerces para seu trabalho humanitário e espiritual na SRF, concretizando a construção de vários templos, Centros de Meditação e concluindo a abrangente série de Lições para estudo em casa, através das quais se possibilita a prática de Kriya. Gradualmente ele foi se retirando das atividades externas, para se dedicar a escrever os livros que iriam preservar seus ensinamentos para as gerações futuras.

Em 1946 publicou sua Autobiografia¹  recebida como um marco em seu campo, o que possibilitou a ampla divulgação de Kriya ioga.

 

Nova Autobiografia em 1951: Versão definitiva

Em 1951, quatro anos depois do lançamento da primeira edição da Autobiografia, Paramahansa Yogananda completou o livro, ao publicar uma versão atualizada com novas narrativas, onde acrescentou vasto material em sua revisão final ao longo da obra, muitas notas de rodapés, além de inserir um novo capítulo final, " O período de 1940 a 1951" e o mais longo da Autobiografia. Em nota no novo capítulo ele registrou: “Muito material novo do capítulo 49 foi acrescentado na terceira edição do  livro  (1951). Respondo, neste capítulo, a várias perguntas sobre a Índia, a ioga e a filosofia védica.”

Na versão definitiva da sua Autobiografia, ele detalha melhor os complexos temas relacionados à filosofia védica, vida, morte, karma, criação, natureza divina, etc; reforça a ponte entre Cristianismo e Ioga e em meio à outros importantes assuntos, ao observador atento não escapará uma curiosa coincidência: a de que ao completar sua história em 1951, Yogananda parecia estar ciente de que  seu corpo físico caminharia poucos meses no palco terreno. E tal como um pai zeloso, debruça-se a compartilhar no último capítulo, o progresso de seu "filho espiritual" como resultado da sua missão: a Self-Realization Fellowship:
 

"Fundar no Ocidente uma organização como SRF, 'uma colmeia para o mel  espiritual',  foi a  tarefa que Sri Yuktéswar e Bábají me atribuíram. Meu maior desejo é construir templos de Deus nas almas dos homens. E é facílimo. É por isso que a Self-Realization foi enviada ao Ocidente".

Algumas imagens de asrhams e templos da Self

" Uma  Igreja  de  Todas  as  Religiões,  em  Hollywood,  na  Califórnia,  foi construída por discípulos  de SRF e  consagrada em 1942. Um  ano depois, fundou-se  outra  igreja, em San Diego, na Califórnia; e mais uma em Long Beach, também na Califórnia, em 1947.

Uma  das mais  lindas  propriedades  rurais  do mundo, mirífico  país  de flores, em Pacific  Palisades,  distrito  de Los Angeles, foi doada SRF  em 1949.  A  propriedade,  com  uma  área  de  48.500  m²  é  um  anfiteatro  da natureza, cercado de colinas verdejantes. Um grande  lago natural,  jóia azul engastada num diadema de montanhas, deu à propriedade o seu nome de Santuário do Lago  (SRF Lake Shrine). Um curioso moinho holandês abriga uma  capela  de  SRF,  impregnada de  paz. Junto de  um  jardim  aquático, enorme  roda hidráulica  respinga  sua preguiçosa música. Duas estátuas de mármore, provenientes da China, adornam o lugar - uma do Senhor Buda e outra de Kwan Yin  (a personificação  chinesa da Mãe Divina). Uma estátua de Cristo  em  tamanho  natural,  com suas  vestes  esvoaçantes  e com seu rosto impressionantemente iluminado à noite, é visível no alto de uma colina, tendo, a seus pés, uma queda de água.

Um memorial Mahatma Gandhi à Paz Mundial no Santuário do Lago, foi consagrado em 1950, ano que  assinalou  o  trigésimo aniversário de Self-Realization Fellowship na América. Celebrando este aniversário, dirigi uma sagrada cerimônia, em Los Angeles, durante a qual dei a iniciação em Kriya Yoga a quinhentos estudantes. Um  punhado  de  cinzas  do Mahátma, remetidas da  índia,  foi guardado como relíquia num sarcófago de pedra datando de mil anos.

Em  Hollywood, em 1951, fundou-se um Centro  da  índia,  outro empreendimento  de  SRF. O  vice-governador  da Califórnia, sr. Goodwin  J. Kníght, e o cônsul  geral da  índia,  sr. M.  R.  Ahuja,  acompanharam-me  no ofício religioso  da consagração. No  local,  existe  um  auditório  com capacidade para 250 pessoas.

Yogananda ao lado de autoridades em uma inauguração

Se nem todo mundo conhece Paramahansa Yogananda, todos, principalmente os que se interessam um pouco por religião, já leram alguma coisa sobre a espiritualidade oriental ou sobre o hinduísmo em particular. Desde a época da contracultura, o espaço que certos costumes e a filosofia indiana ganharam na mídia,  trouxeram mais familiaridade com suas tradições espirituais, que vieram agregadas ao "pacote" de tudo o que foi apresentado como "novidade" ao mundo ocidental: as roupas, a alimentação, a música, entre outras coisas; mas essa abertura, por outro lado, de certa forma também banalizou tudo, incluindo a religiosidade. 

E é aqui, ao chegar no capítulo final da autobiografia que entra a importância de Yogananda e sua obra: a autenticidade daquilo que escreveu, com a garantia de quem viveu aquilo que ensinou. Como todos os grandes mestres de todas as religiões, sua vida foi um modelo de conduta que até hoje inspira milhares (senão milhões) de estudantes e devotos em todo o mundo.

Em nota do autor, na sua nova Autobiografia, edição de 1951, Yogananda afirmou que a grande recepção que sua obra obteve em diversos países era uma resposta afirmativa à questão de que o yoga podia ter lugar e valor significativo na vida do homem moderno. E no último e mais longo capítulo que adicionou, ele fez questão de destacar a Kriya como legado para a posteridade.

 

Kriya Ioga - Um legado espiritual

"Os recém-chegados aos vários centros de SRF costumam solicitar maiores esclarecimentos sobre ioga. Ouço, às vezes, esta pergunta: “É verdade, conforme asseveram certas organizações, que a ioga não pode ser estudada com bons resultados através de material impresso, mas deveria ser praticada somente sob a orientação imediata de um instrutor ? “

Na Idade Atômica, a ioga deve ser ensinada por um curso impresso de instruções, como as Lições de SRF,² ou a ciência da libertação novamente se limitará  a  alguns  eleitos.  Seria,  de  fato, uma  bênção  inapreciável  se  cada estudante pudesse ter a seu  lado um guru, na posse perfeita da sabedoria divina; mas o mundo é constituído de muitos "pecadores" e poucos santos.

Como poderão as multidões, neste caso, receber o auxílio da ioga, a não ser pelo estudo, em seus lares, de instruções escritas por verdadeiros jogues? A única  alternativa seria ignorar o  “homem  comum”  e  privá-lo  do conhecimento da  ioga. Mas este não é o plano de Deus para a nova era. Bábají  prometeu  proteger  e  guiar  todos  os  Kriya  Yogis  sinceros  na  senda para a Meta Suprema.

Precisa-se de centenas de milhares de Kríya Yogis e  não  apenas  de meia-dúzía,  para  tornar  realidade  o mundo de paz  e de abundância  que  aguarda  os  homens  quando  tiverem  feito  o  esforço necessário para restabelecer seu “status” como filhos do Pai Divino.

A função abençoada  de  Kriya Yoga no Oriente e no Ocidente  está apenas em seu começo. Possam todos os homens saber que existe uma técnica científica, definida, para o Encontro com Deus e a superação de toda miséria humana! "

 

1. A primeira edição de 1946 deixou de ser publicada por Yogananda quando a modificou em 1951, mas recentemente passou a ser publicada no Brasil e encontra-se à venda, envolvida em polêmica de ilegalidade. Ver mais aqui

2. Desde os tempos de Yogananda, a Self-Realization promove encontros anuais em muitos países, inclusive no Brasil, onde são realizadas as cerimônias de iniciação em Kriya. Veja fotos de uma "Convocação" aqui

 

Kriya Yoga-legado para a posteridade

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