IN MEMORIAM PARAMAHANSA YOGANANDA

             "Divino “visto de permanência”

Segundo depoimentos em vários livros, de muitos discípulos da íntima convivência de Yogananda, incluindo o In Memoriam¹ produzido pela Self-Realization, o iogue peregrino deu muitos sinais de que sabia estar prestes a embarcar em sua última viagem, porém, desta para outra dimensão. Tara Mata (Laurie Pratt), uma das primeiras discípulas de Yogananda e sua colaboradora pessoal designada por ele para editar suas obras declarou:

" Os últimos dias de Paramahansaji foram literal e simbolicamente vinculados à visita do então embaixador da Índia a Los Angeles, Sr. Binay Ranjan Sen. O grande guru não pôde ir à Índia, logo a Índia – na pessoa do seu maior representante no estrangeiro – veio ao guru.²

A última fotografia de Yoganandaji, tirada poucos minutos antes de seu desenlace, mostra a esposa do embaixador fazendo pronam (*reverência) para dele, enquanto ele se levantava do seu assento para se dirigir  à tribuna. Por meio desse último  e belo gesto, uma  mulher indiana expressou, simbolicamente, o respeito de sua nação pelo homem que, mais do que qualquer outro filho da Índia, tornou a perene sabedoria dos rishis conhecida e amada no Ocidente.

Nascido como xátria (membro da segunda casta hindu, originalmente de reis e guerreiros), Yoganandaji morreu como viveu: um guerreiro divino contra o principal  inimigo do homem, a ignorância.

Yoganandaji viera à América para cumprir uma missão específica: disseminar no Ocidente o conhecimento de  técnicas da  ioga, pelas quais o homem pode entrar  em comunhão consciente com  o  Criador. Paramahansaji foi o último de uma  linhagem de quatro gurus, divinamente inspirados  – diretamente ordenados  por  Deus –  a  ensinar abertamente ao mundo moderno a secreta ciência iogue da auto-libertação, que constituía a glória da antiga Índia.

Kriya Yoga, a técnica científica para a realização divina acabará por difundir-se em todos os países e ajudará a harmonizar as nações por meio da percepção pessoal e transcendente que, do Pai Infinito, o homem alcançará.” Com estas palavras, Mahavatar Babaji enviou Yoganandaji ao Ocidente, em 1920.

O jovem monge – treinado durante dez anos para a alta incumbência, no eremitério de seu guru Sri Yukteswarji – trabalhou com amor por mais de 30 anos, no Novo Mundo, honrando a confiança dos grandes mestres humanitários que o apoiavam. A eles e a Deus,  o Mestre dava todo o crédito pela execução bem-sucedida de sua missão.

“Depois que eu me for, os ensinamentos da SRF serão o guru.” Com essas palavras, e de muitas outras  maneiras, Paramahansaji  indicava que o interesse prático  pela  ioga, interesse que ele havia despertado no Ocidente,  continuaria a crescer após sua morte. Como todos os outros  homens de  Deus, o Mestre não destacava a importância de sua própria personalidade, mas sim a necessidade do esforço pessoal de cada um para alcançar a vida perfeita.

O trabalho da minha vida está concluído

Durante seus últimos três anos, Paramahansaji retirou-se cada vez mais da vida pública para dedicar-se plenamente ao trabalho literário: editar e revisar seus primeiros livros e concluir novos escritos.  Pouco antes de sua morte, ele disse a uma discípula:
“O trabalho de minha vida está concluído”.

Dizem-nos as escrituras hindus que os grandes devotos de Deus têm a premonição da hora em que deixarão  esta  terra.  O iogue  autêntico,  diferente do homem não-iluminado, jamais é rudemente surpreendido pela Morte. Yoganandaji estava ciente do plano geral de sua vida, desde os anos de sua  juventude,  na companhia de seu onisciente guru Sri Yukteswar.  O Mestre bem sabia que  sua vida não  seria  longa.  “Não viverei até uma  idade avançada”,  dissera ele a um discípulo, em 1924.

“O Mestre me disse em várias conversas: ‘Estou vivendo com tempo emprestado. A Mãe Divina já me pediu mais de uma vez para eu deixar esta terra,  já que meu tempo terminou, e se eu não o fizer voluntariamente, Ela me arrancará à força.’

O Mestre acrescentou que  estava muito agradecido a Ela, que várias vezes lhe dera consentimento para prorrogar sua estadia na terra a fim de concluir algum trabalho importante.”

Tudo o que a Mãe Divina quiser

Ele regressou a Los Angeles em 18 de dezembro, onde ficou na sede central da SRF (Mt. Washington Center)  durante a época do Natal.  Muitas vezes ele se referiu àquele Natal como sendo, talvez, o último. “Tudo que a Mãe Divina quiser!” dizia. No dia do Natal, ele presidiu o banquete na sede central. Sentado a seu lado, estava seu amado discípulo Rajasi Janakananda. No decorrer de uma palestra nesta ocasião, o Mestre disse:

“Ao sofrer as conseqüências dos desejos errôneos, o homem aprende a escolher os desejos corretos. Se não há desejo, não há atividade, e ser indolente é ser abandonado por Deus e pelos homens! O homem espiritual trabalha muito mais arduamente do que o homem mundano – mas que grande privilégio é trabalhar para Deus! Vocês precisam sempre se orgulhar disto. Lembrem-se de que a renúncia aos desejos egoístas é o caminho para a felicidade.”

Paramahansaji fez um esforço especial para que os dias santos fossem ocasiões felizes para todos os discípulos e visitantes. Ele dava muitas entrevistas. Embora sua saúde não estivesse tão boa em Los Angeles quanto estivera no deserto,  ele não se poupava. Disse aos discípulos: “Eu sabia o que me aconteceria se viesse do deserto para cá, mas se estou fazendo os outros felizes, sou feliz. Este corpo não é nada. Quanto mais cedo eu o abandonar, tanto melhor.” Quando os discípulos expressavam preocupação,  ele apenas abanava a cabeça e dizia: “Vocês não sabem o que a Mãe Divina está planejando para mim.”

Um compromisso importante

Na manhã do banquete, o Mestre disse,  em voz baixa: ‘Tenho um compromisso muito importante em março’.   
Eu lhe lembrei: Já é  março, senhor, e ele disse:  ‘Eu sei’.  Que compromisso o senhor tem que é tão importante? prossegui. ‘É aquele com o embaixador hoje à noite?   ‘Não, refiro-me a um muito importante.’  Ele respondeu.
Perguntei às outras discípulas, mas ninguém sabia de outro compromisso exceto o banquete para o embaixador naquela noite.”

Só o amor poderá me substituir

"Em 6 de março, a noite que antecedeu a seu mahasamadhi, eu estava caminhando pelo corredor, junto com o abençoado Mestre. Ele se deteve, sentou-se diante da pintura de seu guru Swami Sri Yukteswarji, e falou com muito amor dessa grande alma que guiara seus passos para Deus.

Então Gurudeva me disse: “Você se dá conta de que é apenas uma questão de horas, e eu terei deixado este corpo?”
Uma grande dor de tristeza transpassou meu coração. Não fazia muito tempo, quando Gurudeva havia falado que deixaria o corpo logo, eu lhe dissera: “Mestre, que faremos sem o senhor? O senhor é o diamante no anel de nossos corações e de sua organização. Qual o valor do anel sem a beleza do diamante?” Então veio a resposta desse grande bhakta (amante de Deus):
“Lembre-se disto: Quando eu me for, só o amor poderá me substituir. Absorva-se noite e dia no amor de Deus, e dê esse amor para todos.” (* Por Sri Daya Mata, atual presidente da SRF)

Promessa pós-morte aos discípulos futuros

"Depois que eu tiver partido, os ensinamentos serão o guru" - disse Paramahansaji - "Aqueles que fielmente seguirem o caminho da Self-Realization e praticarem estes ensinamentos, sintonizar-se-ão comigo, com Deus e com os Paramgurus que enviaram esta obra."

Aqueles que vivem inteiramente de acordo com os ensinamentos de Paramahansaji, sabem com certeza que não existe separação entre guru e discípulo. Quer se encontre em corpo físico, quer tenha abandonado esta terra para viver num plano astral ou causal, ou no Espírito puro além destes planos, o guru está sempre próximo ao discípulo que se mantém em sintonia com ele. Esta sintonização do discípulo com o guru é o que o conduz à salvação.

Quantas vezes o Mestre dizia - "Muitos verdadeiros devotos vieram a mim durante a minha vida atual. Eu os reconheço de vidas passadas. E muitos outros estão por vir e eu os reconheço também. Eles virão depois que eu tiver abandonado este corpo. Lembrem-se que, mesmo não me sendo possível falar com vocês com esta mesma voz, eu conhecerei cada um de seus pensamentos e estarei consciente de cada ato que praticarem. Nunca me introduzo na vida dos que não desejam que eu o faça, mas estou sempre presente na vida dos que me concederam este direito e dos que buscam a minha orientação.

Minha consciência está em sintonia com eles. Estou ciente até mesmo do menor tremor em suas consciências. O meu corpo cessará de existir, mas o meu trabalho continuará vivo. Mesmo após minha morte continuarei trabalhando com vocês pela libertação do mundo com a mensagem de Deus. Preparem-se para a glória divina. Fortaleçam-se na chama do Espírito."

¹- In Memoriam é um livro publicado pela SRF com depoimentos de discípulos, autoridades, religiosos, jornais e admiradores de Yogananda. Pode ser baixado na área de downloads.

²- Meses antes Yogananda planejou outra viagem à India, mas vários imprevistos impediram a viagem.

 

Promessa pós-morte

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