A polêmica reedição de 1946 no Brasil

 
 
Como foi visto em "História da Autobiografia", Paramahansa Yogananda publicou o livro pela primeira vez no ano de 1946. Mas a versão circulou no mercado apenas quatro anos, pois em 1951, foi publicada uma versão definitiva da Autobiografia, inteiramente revisada por Yogananda, contendo numerosas modificações, muitas novas notas de rodapés (algumas de até página inteira), fotografias, relatos inéditos ao longo de vários capítulos e o acréscimo do que ele chamou de "capítulo final: o período de 1940 a 1951". ¹

Posteriormente à sua morte, Tara Mata (discípula antiga e editora chefe de Yogananda), revisou pequenos trechos do livro conforme as instruções deixadas por seu guru, além de atualizá-lo com as informações sobre o mahasamadhi, as mudanças de sucessores na presidência da Self-Realization e a inclusão de novas fotos - como o famoso retrato ao lado - "O último sorriso" - registrado minutos antes da morte de Yogananda, ocorrida em 07 de março de 1952.

 

 Entretanto, apesar da primeira edição de 1946, incompleta e desatualizada, ter sido tornada obsoleta pelo próprio Yogananda, recentemente ela passou a ser publicada no Brasil, (tradução pt/pt), concorrendo com a Autobiografia oficial, sob forte polêmica quanto à infração de direitos autorais, incluindo problemas de tradução.   Ver aqui
Além disso, na contramão de uma estratégia promocional edificante, a editora (Lótus do Saber) que publica o livro, usa o marketing da depreciação ao desmerecer o valor da autobiografia tradicional publicada há décadas pela Self-Realization, buscando exaltar a edição de 1946 como a original e que não passou pelas revisões posteriores pelos discípulos de Yogananda na SRF. Por outro lado, omite que o próprio autor a enriqueceu com extenso conteúdo em 1951.

Esse comportamento tem provocado perplexidade entre os estudantes de Kriya Yoga, pois compravam dessa empresa, a mesma obra que antes ela elogiava, uma vez que foi representante da SRF de 2001 à meados de 2005, quando teve seu contrato descontinuado. (ver mais aqui)

Ao tentar descredibilizar os discípulos íntimos de Yogananda (vários ainda vivos), e que o ajudaram nas revisões desde a primeira ediçãol, a editora incorre no contrasenso de invalidar o poder de discernimento e a autoridade do próprio autor enquanto mestre auto-realizado. 

É importante destacar, que foi a edição da Autobiografia de 1999 publicada pela SRF, e não a de 1946 incompleta e fora de circulação, que concorreu ao título de um dos 100 melhores livros do século XX. Ver aqui Foram as edições dos anos 70, 80, 90, as aclamadas como best-sellers. Na opinião de numerosos leitores, quando interesses comerciais tentam limitar Yogananda à sua primeira publicação, incorrem no contrasenso de negar sua capacidade de superar-se em inspiração e criatividade, cujo brilho tem desafiado os limites do tempo.

                                                                                                                                  Reedição ilegal de 1946

A controvérsia é gerada inclusive entre os que são apenas simpatizantes das obras de P. Yogananda e não praticam suas técnicas.

Em sites de livrarias, ² leitores reclamam se sentirem lesados; acadêmicos alegam que só descobriram haver comprado um livro incompleto, ao compará-lo com os de outros colegas em seus estudos; praticantes de Kriya defendem a integridade da obra oficial de Yogananda, argumentando que se ele desejasse que o livro de 1946 continuasse a ser publicado, não reescreveria um novo em 1951; outros dizem que ao comprar o livro pensando ser a obra final de Yogananda, foi como assistir à um bom filme e perderem grande parte da história. Por outro lado, para defender a publicação, surgem algumas postagens ofensivas à Self, que são atribuídas por alguns leitores, à própria editora.

Nos grupos online de yoga e de estudantes, os argumentos são unânimimente reprovatórios à venda  desta edição.

Inicialmente acreditava-se que o livro estava em domínio público no Brasil, e embora a editora omita em suas divulgações qualquer menção à domínio público, era de se esperar que só o fizessem respaldados nesse motivo. Todavia,  devido à estudos efetuados por membros especializados nos grupos de discussão sobre propriedade intelectual, concluiu-se que legalmente, a edição de 1946, só entrará em domínio público em 1º de janeiro de 2023, e portanto, o livro está na ilegalidade, passível de ser retirado de circulação à qualquer momento. Tudo isso acabou resultando em um Manifesto Público, de Alerta às livrarias e consumidores, que pode ser verificado aqui.

Por último, se o autor desejasse que a edição original permanecesse no mercado, ou fosse acessível no futuro, óbviamente não a tiraria de circulação apenas 4 anos depois, quando aprimorou outra versão, e ainda deixou instruções aos seus discípulos diretos, para mante-la sempre atualizada para gerações vindouras.

Parece claro também, que nunca foi a intenção de Yogananda ver seus escritos sob divisão, notadamente patrocinados por interesses estranhos à organização que fundou; razão pela qual, tomou as providências práticas para garantir que todas as suas publicações ficassem à cargo da SRF como sua sucessora. (Ver seus últimos desejos aqui) E nesse sentido, a Lei brasileira dos Direitos Autorais favorece plenamente os desejos de Yogananda, como diz o capítulo III Dos Direitos Patrimoniais do Autor e de sua Duração, artigo 35:

    " Quando o autor, em virtude de revisão, tiver dado à obra versão definitiva, não poderão seus sucessores reproduzir versões anteriores."

Conclui-se que, a atualização de qualquer obra pelo autor, principalmente em sendo uma autobiografia, impede a publicação da versão anterior, tanto pelos herdeiros como por terceiros, e isto, mesmo para obra em domínio público - o que não é o caso, uma vez que a primeira edição só entrará em domínio público em 2023. Se a SRF, ou qualquer outro herdeiro, não poderiam reeditar a primeira versão, entende-se que uma empresa desautorizada esteja infringindo direitos morais e legais de faze-lo.

 

Considerando a importância desse clássico literário, achamos por bem promover o esclarecimento e reproduzir as informações mais relevantes, sob o ponto de vista legal.

  ¹- Um exemplar do livro de 1951, modificado por Yogananda, pode ser visto  aqui

 ²- Opiniões dos leitores: Livraria Cultura   Buscapé  e  Grupos online

 

 

Edição de 1946 - publicação ilegal no Brasil

Acréscimos de Yogananda na Autobiografia de 1951

História da composição Autobiografia

Manifesto Alerta às Livrarias e Consumidores

 

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